Saturday, January 20, 2007

A FILA ANDA, FILHOTE


GRAVADORA BOMPASTOR NEGLIGENCIA DIREITO DE DISTRIBUIÇÃO DOS DISCOS DA TOOTH AND NAIL

Brandon Ebel é um visionário. Quando no começo dos anos 90 ele decidiu, de dentro do seu quarto, fundar a Tooth and Nail Records, provavelmente não sabia onde estava enfiando o nariz. Consolidou seu sonho durante toda a década passada, e hoje é dono do selo mais importante do rock independente cristão – e graças aos céus, Ebel não é daqueles que pensa que gravadora cristã tem de estar limitada ao gueto cristão. Ele não está fora do segmento independente universal; ao lançar gente como Starflyer 59, Discover America, Joy Electric e mewithoutYou, Ebel já inseriu sua gravadora na tal network universal chamada indie. O trabalho de divulgação dos artistas, apuro no trato gráfico de todo o trabalho – sites e encartes dos discos –, qualidade de produção e a distribuição por todo o planeta via Internet, é de fazer inveja a muito empreendedor metido a executivo globalizado.

Mas o que o selo faz de melhor, sua pretensa subsidiária no Brasil – ou quem tem o direito de distribuição no país – ignora completamente. O que faz a BomPastor, detentora dos direitos de distribuição da Tooth and Nail, é sintoma de uma postura evangélica fincada numa mentalidade arcaica, burocrática e ignorante. A gravadora brasileira, talvez uma das mais antigas do país no segmento evangélico, se dá ao trabalho de tão somente separar dois ou três artistas da Tooth and Nail, prensar os cds, incluir sua logomarca no encarte e mandar pras prateleiras das lojas ‘gospel’, misturados à penca de cantores cristãos que se imitam perpetuamente. Não há nenhum trabalho focado na distribuição destes álbuns, com foco em públicos variados, potenciais consumidores e admiradores do selo. Numa busca rápida pelo site horrendo da BP, o único disco da TN disponível é o ‘Letters to the President’, do Halk Nelson. Não há a menor informação sobre a banda; apenas o preço, com um singelo desconto de R$ 2.

Conheço alguns donos de pequenos selos independentes nacionais que, em contatos feitos com a Tooth and Nail na tentativa de lançar algum artista do selo no Brasil, receberam da gravadora americana a resposta de que os direitos pertencem à BomPastor. Outro amigo, mestre nas artes gráficas e com idéias arejadas (o que falta aos selos cristãos nacionais), ofereceu seu talento à chefia do selo para criar sites conectados com o que a Tooth and Nail dispõe via BP. Não recebeu sequer um gélido ‘não’ como resposta.

Não contente com a postura ignorante e preguiçosa adotada, a BP se reserva no direito de não responder a emails que perguntam sobre as bandas da TN com as quais pretende trabalhar, tampouco abre para o diálogo com gente a fim de meter a mão na pedra preciosa que é a licença para a distribuição dos discos do selo americano e fazer algo bem estruturado, criativo, com estratégia de divulgação que atinja propósitos outros que não apenas um retorno financeiro pífio – não é possível imaginar que a BP consiga vender mais de três mil cópias de um disco cuja única ação promocional seja uma foto diminuta no site e um descontaço de R$ 2!!! Ok, direito deles, respondem o que quiser a quando quiser.

Não está a fim de trabalhar, não quer gastar um tostão pra fazer uma divulgação minimamente decente, à altura dos discos e do trabalho realizado pela ‘matriz’ americana, entrega pra quem sabe, filhote. Porque é difícil imaginar que a BomPastor decida fazer algo agora, depois de todos esses anos sentada em cima dos direitos de distribuição. É fato que a gravadora fez muito pela música cristã no Brasil, mas enterra o que há de mais contemporâneo e criativo feito por cristãos hoje. Deixa o povo trabalhar, beibe.

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